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TRANSPLANTE PENETRANTE DE CÓRNEA EM SERVIÇO DE REFERÊNCIA: PRINCIPAIS INDICAÇÕES E COMPLICAÇÕES

Juliano V. Coatti (1); Arley Gelmini Júnior (1); Paulo Elias C. Dantas (2); Luciene Barbosa de Souza (3).

RESUMO:

Objetivo: Determinar as principais indicações e complicações associadas a transplante penetrante de córnea( TP ) no Hospital Oftalmológico de Sorocaba no período de 17 meses .
Material e Métodos: Foram analisados retrospectivamente os prontuários de pacientes submetidos a TP em um serviço de referência regional em relação às indicações e complicações ocorridas.
Resultados: A indicação mais freqüente foi ceratocone , seguida da ceratopatia bolhosa pseudofácica (CBPF) .Em 22% dos casos ocorreu algum tipo de complicação. A mais comum foi a falência endotelial primária , seguida de falência secundária .
Conclusão: Ceratocone e CBPF continuam sendo as principais indicações de TP. Falência primária e falência secundária ainda são importantes complicações de TP.

INTRODUÇÃO

Desde sua introdução, décadas atrás, o transplante penetrante de córnea sofreu várias mudanças. Ceratocone e ceratopatia bolhosa pseudofácica são as principais indicações de TP em estudos e locais diversos , tendo em vista o aumento do número de extrações de catarata com implante de lente intraocular nos últimos anos e a melhora no diagnóstico de ceratocone através de exames como a topografia de córnea.

MATERIAL E MÉTODOS:

Foram analisados retrospectivamente os prontuários de pacientes submetidos a TP no Hospital Oftalmológico de Sorocaba, num período de 17 meses e com seguimento de 6 meses, com relação a diagnóstico clínico pré-operatório e complicações cirúrgicas Utilizou-se a nomenclatura proposta por Lindquist em 1.994 para divisão das indicações. As complicações ocorridas foram analisadas separadamente.

RESULTADOS:

Foram realizados 137 transplantes em 133 pacientes . Houve predominância do sexo masculino (57%). A idade média dos pacientes foi de 37,2 anos . A principal indicação de TP foi o ceratocone (49,5%) seguida de CBPF com LIO de câmara posterior(14%), trauma (7%), ceratite infecciosa (6,5%) e queimadura com 5%.Outras indicações estão listadas na tabela 1. Dos casos analisados, trinta (22%) apresentaram algum tipo de complicação. A complicação mais comum foi a falência primária do TP (6,6%), seguida de falência secundária (5,1%).Todas as complicações ocorridas estão listadas na tabela 2.

DISCUSSÃO

Nos últimos anos, vários estudos tem apresentados diversas patologias como a principal indicação de TP . Em concordância com alguns desses, o ceratocone foi a mais comum em nosso serviço, com quase 50%. CBPF foi a segunda indicação com 14%, ficando abaixo do encontrado em outros estudos , provavelmente devido à pouca utilização de LIO de câmara anterior ou fixação iriana, responsáveis pela maior parte dos casos de CBPF , associado ao uso cada vez maior de soluções salinas balanceadas e substâncias viscoelásticas, diminuindo assim o trauma endotelial. O índice de complicações encontrado em nosso estudo (22%) ficou abaixo do encontrado anteriormente em outros serviços, provavelmente devido às patologias responsáveis pelas indicações dos transplantes realizados, visto que patologias com bom prognóstico tendem a apresentar menos complicações. Das complicações ocorridas, a de maior incidência foi a falência primária do TP, com 6,6%, Por apresentar um seguimento menor que um ano em todos os casos, a análise da incidência de falência secundária do TP fica comprometida. Ainda assim, é preciso colocar que esta foi a segunda complicação encontrada, ocorrendo em 5,1% dos casos.

CONCLUSÃO:

-Apesar das diferenças regionais ou de amostragem dentre os vários estudos, ceratocone e CBPF continuam sendo as principais causas de indicação de transplante de córnea com 63,5% do total de indicações,

-Falência primária e secundária ainda são complicações imporantes do TP, confirmando que a análise criteriosa da córnea doadora e a orientação rigorosa do paciente submetido ao transplante são passos tão importantes para o sucesso cirúrgico quanto o procedimento em si.
(1) Residentes do segundo ano do Hospital Oftalmológico de Sorocaba
(2) Chefe do Setor de Córnea e Doenças Externas
(3) Coordenadora do Serviço de ESPECIALIZAÇÃO EM OFTALMOLOGIA do Hospital Oftalmológico de Sorocaba
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